Quando a sala de aula cabe numa aldeia com dois mil anos de história
Os alunos do 7.º ano do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva visitaram Idanha-a-Velha numa aula de História que se estendeu muito além das paredes da escola.
No passado dia 15 de Abril de 2026, os alunos do 7.º ano do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva partiram rumo a Idanha-a-Velha numa visita de estudo integrada na disciplina de História. Mas não se tratou de uma visita comum. O projeto, desenvolvido pelo professor António Filho, transformou a aldeia da Beira Baixa, Monumento Nacional, num verdadeiro laboratório de aprendizagem ativa, onde os conteúdos do programa ganharam vida nas mesmas pedras que os romanos, os visigodos, os mouros e os cavaleiros medievais pisaram ao longo de dois milénios.
O projeto insere-se no quadro das Aprendizagens Essenciais do 7.º ano, mais concretamente nos Domínios C e D do programa nacional de História, dedicados à formação da cristandade ocidental, à expansão islâmica, à sociedade feudal e ao desenvolvimento económico e cultural da Península Ibérica entre os séculos VI e XIV. A metodologia adotada parte de um princípio pedagógico claro: os alunos aprendem mais e mais profundamente quando o conhecimento é construído a partir da experiência direta e da observação crítica do território.
“A ideia foi trazer o manual para o território. Idanha-a-Velha não é um apêndice do programa, ela é o programa. Aqui temos romanos, visigodos, mouros e templários num raio de 600 metros. Quando um aluno vê a torre templária assente sobre as fundações do fórum romano, percebe a sobreposição de culturas de uma forma que nenhuma imagem de livro consegue replicar.”
Professor António Filho, docente de História, AE Afonso de Paiva
A organização da visita assentou numa metodologia de trabalho cooperativo estruturado em sete equipas com funções diferenciadas: os Cronistas, responsáveis pelo registo escrito; os Repórteres de Imagem, encarregados da documentação fotográfica; os Guardiões do Planeta, garantes do respeito ambiental e patrimonial; os Vigilantes, responsáveis pela organização e controlo do grupo; os Guias-Sombra, que aprofundaram os conteúdos e mediaram o diálogo com o guia local; a Equipa de Bem-Estar, atenta à saúde e ao conforto de todos; e a Equipa Multimédia, dedicada à produção de um mini-documentário sobre a visita. Cada equipa terá de apresentar um relatório detalhado das suas funções até ao final do mês.
Do ponto de vista pedagógico, os ganhos são múltiplos. O contacto direto com o sítio arqueológico de Idanha-a-Velha desenvolve nos alunos competências de observação, análise de fontes primárias e pensamento histórico crítico, exatamente as capacidades que as Aprendizagens Essenciais preveem para o final do 3.º ciclo. A leitura de inscrições latinas no Museu Epigráfico, a identificação das camadas arquitetónicas da Sé Catedral ou a compreensão do papel estratégico da Torre dos Templários são exercícios concretos de literacia histórica que complementam e enriquecem o trabalho feito com o manual em sala de aula.
Para além do currículo, destaca-se a importância de valorizar o património local. Ao selecionar Idanha-a-Velha, Monumento Nacional próximo de Castelo Branco, como espaço de aprendizagem, este projeto incentiva os jovens a sentirem-se parte da comunidade e a reconhecerem que o lugar onde vivem é fundamental na história de Portugal. Em vez de ser considerado periférico, o território assume-se como central, mensagem que se torna clara através da visita.
O projeto foi desenvolvido com atenção à inclusão, oferecendo aos alunos que não puderam participar da visita uma atividade de pesquisa equivalente, com os mesmos objetivos de aprendizagem, prazos de entrega e critérios de avaliação. A equidade pedagógica esteve presente como prioridade desde a sua concepção. Esta iniciativa evidencia que aulas de História eficazes não dependem necessariamente de recursos tradicionais como quadro ou projetor, mas sim de uma instituição comprometida em proporcionar aos estudantes oportunidades que incentivem a compreensão histórica a partir de uma perspetiva voltada para o passado.











